A empresa Azul Linhas Aéreas deve fornecer passagem gratuita a uma
advogada cadeirante. O pedido foi autorizado pelos magistrados da 11ª
Câmara Cível. A decisão foi fundamentada na Lei nº 8.899/1994, que
concede passe livre às pessoas portadoras de deficiência no sistema de
transporte coletivo interestadual.
A advogada ajuizou ação na Comarca de Pelotas solicitando o
fornecimento pela empresa ré das passagens aéreas. Alegou que por ser
pessoa com deficiência, tem direito de utilizar os serviços das
companhias aéreas de forma gratuita. A sentença de 1ª instância foi
favorável.
A empresa aérea apelou da sentença ao Tribunal de Justiça.
Recurso
A ré sustentou que a sentença é nula pela ausência de fundamentação,
alegando que não há regulamentação especifica que obrigue as empresas de
transporte aéreo a prestar o serviço de forma gratuita. Afirmou ainda
que o artigo 1º da Lei 8.899/94 afirma que o transporte gratuito é
destinado a pessoas com deficiência que sejam comprovadamente carentes.
A Lei nº 8.899/94, ao regulamentar o sistema de transporte coletivo
interestadual concedendo passe livre às pessoas portadoras de
deficiência, comprovadamente carentes, não permite que se infira a
exclusão do transporte coletivo viário interestadual, afirmou o
Desembargador Luiz Roberto Imperatore de Assis Brasil, relator do
processo. Querer limitar a expressão ¿transporte coletivo interestadual¿
aos transportes rodoviário, ferroviário e aquaviário, sem que a
regulamentação possa incidir sobre os transportes aéreos é fazer tabula
rasa aos preceitos esculpidos na Constituição Federal, em especial aos
direitos fundamentais nela relacionados.
Segundo o Desembargador, deve-se cumprir a lei sem impor condições ou restrições que ela não previu.
Sobre o fato de a autora ser advogada e o benefício ser concedido a
pessoas comprovadamente carentes, ponderou que a autora obteve a
concessão do passe livre pelo Ministério dos Transportes, órgão
responsável por tais documentos. Se o órgão legalmente responsável
avaliou a situação da autora e concedeu o passe livre, a presunção é da
legitimidade e legalidade do procedimento, asseverou.
Votou, portanto, por negar o apelo da companhia aérea, concedendo o passe livre à autora da ação.
O voto foi acompanhado pelo Desembargador Antônio Maria Rodrigues de
Freitas Iserhard e pela Desembargadora Katia Elenise Oliveira da Silva.
Proc. 70062792726
FONTE: TJRS
segunda-feira, 13 de abril de 2015
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